Biometria da palma da mão: o próximo passo dos pagamentos digitais?

A leitura da palma da mão está sendo testada em pagamentos presenciais no Brasil e em outros mercados como uma alternativa sem cartão, sem celular e sem senha. A tecnologia promete menos atrito na hora de pagar, mas ainda enfrenta dúvidas sobre custo, privacidade e adoção em massa.

INSIGHTS

Laura A. A. Costa

7/26/202617 min read

Os pagamentos digitais evoluíram muito rápido. Primeiro vieram os cartões, depois o pagamento por aproximação, os carteiras digitais e o Pix. Agora, uma nova etapa começa a ganhar força: a autenticação pela palma da mão. No Brasil, empresas como Cielo, Ingenico, Tecban e Elo já testaram ou lançaram iniciativas nessa direção, enquanto o tema também avança em outros países e entra no radar de grandes empresas de tecnologia e meios de pagamento.

A promessa é simples: pagar apenas estendendo a mão sobre um sensor. Na prática, isso pode reduzir filas, dispensar cartões e tornar a experiência de compra mais fluida. O problema é que, como toda tecnologia nova em meios de pagamento, a biometria da palma da mão precisa provar que entrega conveniência sem abrir espaço para custos excessivos, fricção operacional ou desconfiança do consumidor.

Em poucas palavras
  • A biometria da palma identifica a pessoa por padrões únicos da mão, muitas vezes usando leitura das veias com luz infravermelha.

  • No Brasil, Cielo e Ingenico testaram a tecnologia em Barueri, e Tecban com Elo lançaram uma solução com débito, crédito e Pix.

  • A proposta é eliminar cartão, celular e senha na hora do pagamento presencial.

  • O setor já vê biometria como tendência forte na autenticação digital, inclusive em pagamentos online com passkeys.

  • Mesmo assim, custo, privacidade e adoção do consumidor continuam sendo os maiores desafios.

O que é biometria da palma da mão?

A biometria da palma da mão é uma forma de autenticação baseada em características únicas da mão de cada pessoa. Na versão mais avançada, chamada palm vein, o sistema usa luz infravermelha para mapear o padrão das veias internas da palma, um desenho que tende a ser difícil de reproduzir e que não depende apenas da aparência externa da mão.

Na prática, isso difere de outros métodos biométricos mais conhecidos, como impressão digital e reconhecimento facial. Em testes brasileiros, a leitura da palma foi apresentada como uma alternativa que pode dispensar cartão e dispositivo móvel no momento do pagamento. A Tecban e a Elo, por exemplo, anunciaram uma solução que permite transações por débito, crédito ou Pix com autenticação unicamente pela palma da mão.

A ideia conversa com uma tendência mais ampla do mercado financeiro: reduzir atritos no checkout. Em vez de lembrar senha, abrir aplicativo ou procurar a carteira, o consumidor faria a autenticação com um gesto simples e rápido. É esse tipo de fricção que as empresas tentam eliminar quando investem em novas formas de identidade digital.

Por que essa tecnologia voltou a ganhar força agora?

A volta do tema não é por acaso. O mercado de pagamentos está tentando se afastar de experiências lentas e cheias de etapas. A própria Visa passou a tratar a autenticação biométrica como um passo importante na direção de pagamentos online mais fluidos, com o Visa Payment Passkey substituindo senhas e códigos SMS por autenticação biométrica ou PIN no dispositivo. A empresa afirma que 4 bilhões de dispositivos de consumo já suportam FIDO, padrão usado nesse tipo de autenticação.

Ao mesmo tempo, o Brasil virou um terreno fértil para testes. Em 2025, a Cielo e a Ingenico testaram a leitura de palma em Barueri, com cadastro da mão associado a um cartão e pagamento concluído em segundos. Depois, Tecban e Elo anunciaram uma solução presencial que funciona com débito, crédito e Pix, reforçando que o mercado local está disposto a experimentar formas novas de autenticação.

Também há um movimento global de maior aceitação de biometria em pagamentos. Na China, a UOL destacou que o país se tornou referência em pagamentos sem atrito, com soluções biométricas que dispensam cartão, senha e até celular. Esse cenário ajuda a explicar por que a leitura da palma passou a ser vista como uma evolução plausível, e não mais como uma curiosidade futurista.

Como o pagamento acontece na prática?

O fluxo mais comum começa pelo cadastro. Em testes no Brasil, o cliente cadastrava a palma e a associava a uma credencial de pagamento. Depois disso, bastava aproximar a mão do sensor para concluir a operação. Em um dos testes relatados, a combinação de sensores e POS permitia pagar com a palma em poucos segundos.

A experiência prometida é muito direta: o vendedor digita o valor, o comprador estende a mão sobre o sensor e o pagamento é finalizado. Segundo Norberto Maraschin, vice-presidente de negócios da Positivo, em fala ao Tilt, é possível até separar usos por mão, usando uma para Pix e outra para cartão. Essa lógica mostra como a biometria da palma pode ser personalizada sem exigir que o consumidor carregue outro objeto.

No caso da solução da Tecban e da Elo, a proposta é ainda mais ampla: eliminar cartões, celulares e wearables da equação e levar o pagamento para uma experiência puramente biométrica. A empresa diz que o foco está em segurança, conveniência e agilidade no uso presencial.

📊 Como funciona?

👋 Cadastro da palma
A mão é lida pelo sensor e vinculada a uma conta ou meio de pagamento.

🔦 Leitura biométrica
O sistema usa luz infravermelha ou sensores equivalentes para identificar o padrão das veias da palma.

🔐 Armazenamento seguro
O padrão é convertido em um template biométrico, que fica associado ao usuário.

💳 Pagamento
Na hora da compra, basta aproximar a mão do sensor para autenticar a transação.

Conclusão da operação
A transação é autorizada em segundos, sem cartão, celular ou senha.

A biometria da palma é segura?

As empresas que apostam nessa tecnologia defendem que a leitura das veias da palma é difícil de replicar. José Barletta, diretor técnico da Ingenico, disse ao Mobile Time que a tecnologia oferece alto nível de proteção contra fraudes e que o padrão vascular da palma não pode ser copiado como uma foto ou gravação de voz.

Ainda assim, a segurança não depende apenas da biometria em si. A forma como os dados são armazenados, criptografados e gerenciados importa tanto quanto o sensor. A UOL apontou que um dos desafios é justamente a criação de uma base de dados centralizada e criptografada de informações das palmas, capaz de funcionar em diferentes sistemas.

A discussão sobre privacidade não é teórica. Em 2021, a Reuters mostrou que senadores dos Estados Unidos manifestaram preocupação com o Amazon One, sistema de palma da Amazon, justamente por questões ligadas à privacidade e à competição. Em outras palavras, mesmo quando a tecnologia funciona, ainda existe a pergunta sobre como o usuário aceita compartilhar dados biométricos em escala.

O que os testes no Brasil já mostram?

Os testes brasileiros ajudam a entender o potencial e os limites do setor. A Cielo e a Ingenico experimentaram a palma da mão em uma lanchonete na sede da Cielo, em Barueri, com o objetivo de analisar a resposta do público. O teste ocorreu paralelamente a iniciativas da Ingenico em outros países, como França e Estados Unidos.

A própria Ingenico informou que a solução permitia pagamentos em menos de cinco segundos, o que reforça o apelo de conveniência para ambientes de alto fluxo. Ao mesmo tempo, o executivo da empresa avaliou que o grande desafio está menos na tecnologia em si e mais na conveniência operacional e no interesse real do consumidor.

A Elo, por sua vez, disse que concluiu um teste com boa aceitação e transações mais rápidas e seguras, e que agora estuda expansão em parceria com emissores e varejistas. A Tecban destacou a parceria como um passo para levar soluções que conectam físico e digital em escala nacional.

O que pode travar a adoção em massa?

O maior obstáculo, por enquanto, parece ser o mesmo em várias tecnologias de pagamento: custo e hábito. A UOL observou que a adoção exige troca de maquininhas, infraestrutura nova e uma base centralizada segura, o que pode encarecer a operação para o varejo. A reportagem também lembra que o comércio costuma adotar tecnologia quando ela corta custos ou aumenta vendas de forma clara.

Além disso, a própria história do Amazon One mostra que a promessa não garante sucesso comercial. Em 2026, a Amazon anunciou que encerraria o serviço de palma no varejo por baixa adoção, com retirada dos leitores físicos das lojas até 3 de junho de 2026. A decisão reforça que a tecnologia pode ser sofisticada, mas ainda assim não conquistar o público na velocidade esperada.

Há ainda a barreira da confiança. Mesmo que a leitura biométrica seja rápida, muitas pessoas ainda se sentem mais confortáveis usando cartão ou Pix, que já viraram hábitos muito consolidados. A adoção em massa, portanto, vai depender não só da segurança técnica, mas da percepção de valor para o consumidor e para o lojista.

A palma da mão pode virar o novo padrão dos pagamentos?

No curto prazo, a biometria da palma da mão parece mais provável como uma opção complementar do que como substituta total do cartão ou do Pix. Ela pode ganhar espaço em ambientes com muito fluxo, em experiências premium, em pontos de venda que buscam agilidade e em setores que valorizam autenticação rápida.

No longo prazo, a tecnologia tem potencial para integrar um ecossistema mais amplo de autenticação biométrica, ao lado de impressões digitais, reconhecimento facial e passkeys. A Visa já mostra que a indústria está caminhando para um modelo em que a identidade digital e a autenticação sem senha se tornam parte do cotidiano de bilhões de pessoas.

Se a palma da mão vai se tornar padrão, o tempo dirá. Por enquanto, ela ocupa um lugar interessante: não é mais ficção, mas ainda precisa provar que consegue ser simples, segura e desejável o suficiente para competir com soluções que o público já usa todos os dias.

Conclusão

A biometria da palma da mão representa uma das tentativas mais ousadas de tornar os pagamentos ainda mais invisíveis. O apelo é claro: menos fricção, menos objetos físicos e uma experiência mais rápida na hora de pagar.

Os testes no Brasil mostram que há interesse real e que a tecnologia já saiu do campo da promessa. Ao mesmo tempo, a retirada do Amazon One do varejo e as dúvidas sobre custo, privacidade e hábito indicam que a adoção em massa ainda depende de um ajuste fino entre conveniência, confiança e valor percebido.

No fim, a grande pergunta não é apenas se a palma da mão funciona. É se ela consegue oferecer algo que o consumidor realmente queira usar mais do que os métodos que já conhece.

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Fontes e Referências

AMAZON. Amazon to stop Amazon One palm payments. Mass Market Retailers, 28 jan. 2026. Disponível em: https://massmarketretailers.com/amazon-to-halt-amazon-one-palm-payments/. Acesso em: 26 jul. 2026.

AMAZON. Amazon’s palm print recognition raises concern among U.S. senators. Reuters, 13 ago. 2021. Disponível em: https://www.reuters.com/technology/amazons-palm-print-recognition-raises-concern-among-by-us-senators-2021-08-13/. Acesso em: 26 jul. 2026.

CIELO. Inovação em pagamentos digitais para empresas. Blog Cielo, 2026. Disponível em: https://blog.cielo.com.br/tech/inovacao-em-pagamentos-digitais-para-empresas/. Acesso em: 26 jul. 2026.

ELO. Elo testa pagamento com leitura da palma da mão. VEJA, 9 nov. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/radar-economico/elo-testa-pagamento-com-leitura-da-palma-da-mao/. Acesso em: 26 jul. 2026.

INGENICO; CIELO. Cielo e Ingenico testam pagamento com palma da mão no Brasil. Mobile Time, 12 ago. 2025. Disponível em: https://www.mobiletime.com.br/noticias/12/08/2025/palm-vein-brasil/. Acesso em: 26 jul. 2026.

TECBAN; ELO. Tecban e Elo lançam solução inovadora de pagamento por biometria da palma da mão. Tecban, 17 nov. 2025. Disponível em: https://www.tecban.com.br/noticia/tecban-e-elo-lancam-solucao-inovadora-de-pagamento-por-biometria-da-palma-da/. Acesso em: 26 jul. 2026.

VISA. Visa Payment Passkey—a modern authentication solution. Visa, 2026. Disponível em: https://www.visa.com/en-us/products/visa-payment-passkey. Acesso em: 26 jul. 2026.

UOL TILT. Só estender e pronto: como funciona o pagamento com biometria da mão. UOL Tilt, 22 jul. 2026. Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2026/07/22/biometria-mao-brasil.ghtm. Acesso em: 26 jul. 2026.

UOL TILT. China passou de 100% “cash” para exemplo de pagamentos com sorriso e palma. UOL Tilt, 19 ago. 2025. Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/analises/ultimas-noticias/2025/08/19/china-passou-de-100-cash-para-exemplo-de-pagamentos-com-sorriso-e-palma.htm. Acesso em: 26 jul. 2026.

Os pagamentos digitais evoluíram muito rápido. Primeiro vieram os cartões, depois o pagamento por aproximação, os carteiras digitais e o Pix. Agora, uma nova etapa começa a ganhar força: a autenticação pela palma da mão. No Brasil, empresas como Cielo, Ingenico, Tecban e Elo já testaram ou lançaram iniciativas nessa direção, enquanto o tema também avança em outros países e entra no radar de grandes empresas de tecnologia e meios de pagamento.

A promessa é simples: pagar apenas estendendo a mão sobre um sensor. Na prática, isso pode reduzir filas, dispensar cartões e tornar a experiência de compra mais fluida. O problema é que, como toda tecnologia nova em meios de pagamento, a biometria da palma da mão precisa provar que entrega conveniência sem abrir espaço para custos excessivos, fricção operacional ou desconfiança do consumidor.

Em poucas palavras
  • A biometria da palma identifica a pessoa por padrões únicos da mão, muitas vezes usando leitura das veias com luz infravermelha.

  • No Brasil, Cielo e Ingenico testaram a tecnologia em Barueri, e Tecban com Elo lançaram uma solução com débito, crédito e Pix.

  • A proposta é eliminar cartão, celular e senha na hora do pagamento presencial.

  • O setor já vê biometria como tendência forte na autenticação digital, inclusive em pagamentos online com passkeys.

  • Mesmo assim, custo, privacidade e adoção do consumidor continuam sendo os maiores desafios.

O que é biometria da palma da mão?

A biometria da palma da mão é uma forma de autenticação baseada em características únicas da mão de cada pessoa. Na versão mais avançada, chamada palm vein, o sistema usa luz infravermelha para mapear o padrão das veias internas da palma, um desenho que tende a ser difícil de reproduzir e que não depende apenas da aparência externa da mão.

Na prática, isso difere de outros métodos biométricos mais conhecidos, como impressão digital e reconhecimento facial. Em testes brasileiros, a leitura da palma foi apresentada como uma alternativa que pode dispensar cartão e dispositivo móvel no momento do pagamento. A Tecban e a Elo, por exemplo, anunciaram uma solução que permite transações por débito, crédito ou Pix com autenticação unicamente pela palma da mão.

A ideia conversa com uma tendência mais ampla do mercado financeiro: reduzir atritos no checkout. Em vez de lembrar senha, abrir aplicativo ou procurar a carteira, o consumidor faria a autenticação com um gesto simples e rápido. É esse tipo de fricção que as empresas tentam eliminar quando investem em novas formas de identidade digital.

Por que essa tecnologia voltou a ganhar força agora?

A volta do tema não é por acaso. O mercado de pagamentos está tentando se afastar de experiências lentas e cheias de etapas. A própria Visa passou a tratar a autenticação biométrica como um passo importante na direção de pagamentos online mais fluidos, com o Visa Payment Passkey substituindo senhas e códigos SMS por autenticação biométrica ou PIN no dispositivo. A empresa afirma que 4 bilhões de dispositivos de consumo já suportam FIDO, padrão usado nesse tipo de autenticação.

Ao mesmo tempo, o Brasil virou um terreno fértil para testes. Em 2025, a Cielo e a Ingenico testaram a leitura de palma em Barueri, com cadastro da mão associado a um cartão e pagamento concluído em segundos. Depois, Tecban e Elo anunciaram uma solução presencial que funciona com débito, crédito e Pix, reforçando que o mercado local está disposto a experimentar formas novas de autenticação.

Também há um movimento global de maior aceitação de biometria em pagamentos. Na China, a UOL destacou que o país se tornou referência em pagamentos sem atrito, com soluções biométricas que dispensam cartão, senha e até celular. Esse cenário ajuda a explicar por que a leitura da palma passou a ser vista como uma evolução plausível, e não mais como uma curiosidade futurista.

Como o pagamento acontece na prática?

O fluxo mais comum começa pelo cadastro. Em testes no Brasil, o cliente cadastrava a palma e a associava a uma credencial de pagamento. Depois disso, bastava aproximar a mão do sensor para concluir a operação. Em um dos testes relatados, a combinação de sensores e POS permitia pagar com a palma em poucos segundos.

A experiência prometida é muito direta: o vendedor digita o valor, o comprador estende a mão sobre o sensor e o pagamento é finalizado. Segundo Norberto Maraschin, vice-presidente de negócios da Positivo, em fala ao Tilt, é possível até separar usos por mão, usando uma para Pix e outra para cartão. Essa lógica mostra como a biometria da palma pode ser personalizada sem exigir que o consumidor carregue outro objeto.

No caso da solução da Tecban e da Elo, a proposta é ainda mais ampla: eliminar cartões, celulares e wearables da equação e levar o pagamento para uma experiência puramente biométrica. A empresa diz que o foco está em segurança, conveniência e agilidade no uso presencial.

📊 Como funciona?

👋 Cadastro da palma
A mão é lida pelo sensor e vinculada a uma conta ou meio de pagamento.

🔦 Leitura biométrica
O sistema usa luz infravermelha ou sensores equivalentes para identificar o padrão das veias da palma.

🔐 Armazenamento seguro
O padrão é convertido em um template biométrico, que fica associado ao usuário.

💳 Pagamento
Na hora da compra, basta aproximar a mão do sensor para autenticar a transação.

Conclusão da operação
A transação é autorizada em segundos, sem cartão, celular ou senha.

A biometria da palma é segura?

As empresas que apostam nessa tecnologia defendem que a leitura das veias da palma é difícil de replicar. José Barletta, diretor técnico da Ingenico, disse ao Mobile Time que a tecnologia oferece alto nível de proteção contra fraudes e que o padrão vascular da palma não pode ser copiado como uma foto ou gravação de voz.

Ainda assim, a segurança não depende apenas da biometria em si. A forma como os dados são armazenados, criptografados e gerenciados importa tanto quanto o sensor. A UOL apontou que um dos desafios é justamente a criação de uma base de dados centralizada e criptografada de informações das palmas, capaz de funcionar em diferentes sistemas.

A discussão sobre privacidade não é teórica. Em 2021, a Reuters mostrou que senadores dos Estados Unidos manifestaram preocupação com o Amazon One, sistema de palma da Amazon, justamente por questões ligadas à privacidade e à competição. Em outras palavras, mesmo quando a tecnologia funciona, ainda existe a pergunta sobre como o usuário aceita compartilhar dados biométricos em escala.

O que os testes no Brasil já mostram?

Os testes brasileiros ajudam a entender o potencial e os limites do setor. A Cielo e a Ingenico experimentaram a palma da mão em uma lanchonete na sede da Cielo, em Barueri, com o objetivo de analisar a resposta do público. O teste ocorreu paralelamente a iniciativas da Ingenico em outros países, como França e Estados Unidos.

A própria Ingenico informou que a solução permitia pagamentos em menos de cinco segundos, o que reforça o apelo de conveniência para ambientes de alto fluxo. Ao mesmo tempo, o executivo da empresa avaliou que o grande desafio está menos na tecnologia em si e mais na conveniência operacional e no interesse real do consumidor.

A Elo, por sua vez, disse que concluiu um teste com boa aceitação e transações mais rápidas e seguras, e que agora estuda expansão em parceria com emissores e varejistas. A Tecban destacou a parceria como um passo para levar soluções que conectam físico e digital em escala nacional.

O que pode travar a adoção em massa?

O maior obstáculo, por enquanto, parece ser o mesmo em várias tecnologias de pagamento: custo e hábito. A UOL observou que a adoção exige troca de maquininhas, infraestrutura nova e uma base centralizada segura, o que pode encarecer a operação para o varejo. A reportagem também lembra que o comércio costuma adotar tecnologia quando ela corta custos ou aumenta vendas de forma clara.

Além disso, a própria história do Amazon One mostra que a promessa não garante sucesso comercial. Em 2026, a Amazon anunciou que encerraria o serviço de palma no varejo por baixa adoção, com retirada dos leitores físicos das lojas até 3 de junho de 2026. A decisão reforça que a tecnologia pode ser sofisticada, mas ainda assim não conquistar o público na velocidade esperada.

Há ainda a barreira da confiança. Mesmo que a leitura biométrica seja rápida, muitas pessoas ainda se sentem mais confortáveis usando cartão ou Pix, que já viraram hábitos muito consolidados. A adoção em massa, portanto, vai depender não só da segurança técnica, mas da percepção de valor para o consumidor e para o lojista.

A palma da mão pode virar o novo padrão dos pagamentos?

No curto prazo, a biometria da palma da mão parece mais provável como uma opção complementar do que como substituta total do cartão ou do Pix. Ela pode ganhar espaço em ambientes com muito fluxo, em experiências premium, em pontos de venda que buscam agilidade e em setores que valorizam autenticação rápida.

No longo prazo, a tecnologia tem potencial para integrar um ecossistema mais amplo de autenticação biométrica, ao lado de impressões digitais, reconhecimento facial e passkeys. A Visa já mostra que a indústria está caminhando para um modelo em que a identidade digital e a autenticação sem senha se tornam parte do cotidiano de bilhões de pessoas.

Se a palma da mão vai se tornar padrão, o tempo dirá. Por enquanto, ela ocupa um lugar interessante: não é mais ficção, mas ainda precisa provar que consegue ser simples, segura e desejável o suficiente para competir com soluções que o público já usa todos os dias.

Conclusão

A biometria da palma da mão representa uma das tentativas mais ousadas de tornar os pagamentos ainda mais invisíveis. O apelo é claro: menos fricção, menos objetos físicos e uma experiência mais rápida na hora de pagar.

Os testes no Brasil mostram que há interesse real e que a tecnologia já saiu do campo da promessa. Ao mesmo tempo, a retirada do Amazon One do varejo e as dúvidas sobre custo, privacidade e hábito indicam que a adoção em massa ainda depende de um ajuste fino entre conveniência, confiança e valor percebido.

No fim, a grande pergunta não é apenas se a palma da mão funciona. É se ela consegue oferecer algo que o consumidor realmente queira usar mais do que os métodos que já conhece.

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Fontes e Referências

AMAZON. Amazon to stop Amazon One palm payments. Mass Market Retailers, 28 jan. 2026. Disponível em: https://massmarketretailers.com/amazon-to-halt-amazon-one-palm-payments/. Acesso em: 26 jul. 2026.

AMAZON. Amazon’s palm print recognition raises concern among U.S. senators. Reuters, 13 ago. 2021. Disponível em: https://www.reuters.com/technology/amazons-palm-print-recognition-raises-concern-among-by-us-senators-2021-08-13/. Acesso em: 26 jul. 2026.

CIELO. Inovação em pagamentos digitais para empresas. Blog Cielo, 2026. Disponível em: https://blog.cielo.com.br/tech/inovacao-em-pagamentos-digitais-para-empresas/. Acesso em: 26 jul. 2026.

ELO. Elo testa pagamento com leitura da palma da mão. VEJA, 9 nov. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/radar-economico/elo-testa-pagamento-com-leitura-da-palma-da-mao/. Acesso em: 26 jul. 2026.

INGENICO; CIELO. Cielo e Ingenico testam pagamento com palma da mão no Brasil. Mobile Time, 12 ago. 2025. Disponível em: https://www.mobiletime.com.br/noticias/12/08/2025/palm-vein-brasil/. Acesso em: 26 jul. 2026.

TECBAN; ELO. Tecban e Elo lançam solução inovadora de pagamento por biometria da palma da mão. Tecban, 17 nov. 2025. Disponível em: https://www.tecban.com.br/noticia/tecban-e-elo-lancam-solucao-inovadora-de-pagamento-por-biometria-da-palma-da/. Acesso em: 26 jul. 2026.

VISA. Visa Payment Passkey—a modern authentication solution. Visa, 2026. Disponível em: https://www.visa.com/en-us/products/visa-payment-passkey. Acesso em: 26 jul. 2026.

UOL TILT. Só estender e pronto: como funciona o pagamento com biometria da mão. UOL Tilt, 22 jul. 2026. Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2026/07/22/biometria-mao-brasil.ghtm. Acesso em: 26 jul. 2026.

UOL TILT. China passou de 100% “cash” para exemplo de pagamentos com sorriso e palma. UOL Tilt, 19 ago. 2025. Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/analises/ultimas-noticias/2025/08/19/china-passou-de-100-cash-para-exemplo-de-pagamentos-com-sorriso-e-palma.htm. Acesso em: 26 jul. 2026.